Andre Lazaroni

quinta-feira, janeiro 13, 2011



Todo verão, todo final de um ano e início de outro, as tragédias anunciadas ocorrem na Região Sudeste e parte da Região Sul do país. Com elas, vêm os registros de centenas de mortes tão pranteadas. Como está acontecendo, agora, nos históricos e aprazíveis municípios de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Deputado que sou, desde minha primeira eleição em 2002, venho legislando em favor do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável, feito audiências públicas e ações junto a governos, pedindo providências e soluções.

Alguma coisa é feita. Muita coisa fica perdida no emaranhado da burocracia governamental ou na falta de gerenciamento e atenção. Não estou só, todavia. Vejo pesquisadores e cientistas apresentando seus estudos e alertando, alertando sempre. Neste momento, em vez de mencionar estudos acadêmicos do eixo Rio-São Paulo, vou citar partes de relatórios do banco de dados de acidentes significativos do Centro de Apoio Científico (Cenacid), da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O Cenacid concluiu que o quadrilátero formado por Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentrou 56% dos desastres ambientais significativos ocorridos no país em 2009. Ao todo, naquele ano, o Brasil teve 205 acidentes que causaram 444 mortes e afetaram quase dois milhões de pessoas, cerca de 1% da população regional. Entre as tragédias mais comuns estão as inundações, tempestades e deslizamentos de terra, que somam quase 80% das ocorrências.

Pois bem. Os números do banco de dados de acidentes significativos do Centro de Apoio Científico (Cenacid) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) vem se repetindo ano a ano. Segundo o coordenador do Cenacid, Renato Eugenio de Lima, “os locais de maior densidade vivem em um estilo menos sustentável, havendo ocupação de áreas perigosas e interferindo na natureza”.

Nem mesmo os gastos em prevenção são sinônimo de segurança, pois desastres em geral se relacionam com o imponderável. Caso a lógica do investimento fosse verdadeira, o Brasil teria diminuído as ocorrências. De 2006 para 2009, os gastos autorizados pelo governo federal para evitar tragédias naturais cresceram quase cinco vezes.

Em 2006, os recursos com esse destino foram na ordem de R$ 110 milhões; em 2009, o total foi de R$ 646 milhões. No entanto, o país registrou, em 2007, cerca de 150 acidentes, frente aos 250 de 2009.

Na avaliação do Cenacid, a prevenção é responsabilidade de vários setores: governos municipal, estadual e federal, além de órgãos independentes como o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). Com diferentes ações, cada um colabora para evitar tragédias. No momento, um dos focos do Brasil deve ser a preparação de resposta às tragédias, concentrada na Defesa Civil.

Além do gasto, é fundamental entender o fenômeno enfrentado, orientando as atitudes que devem ser tomadas. A falta dessa compreensão é uma ameaça. Em Santa Catarina, bombeiros morreram em deslizamentos de terra.

Com cerca de 70 cientistas da UFPR e profissionais de outras sete universidades conveniadas, o Cenacid já esteve em aproximadamente 26 missões desde os anos 2000, incluindo enchentes, terremotos, explosões de navio e deslizamentos de terra. Todas as ações, contudo, têm ênfase ambiental, uma das diretrizes do centro.

Uma última ação de maior relevância do Cenacid foi o terremoto no Haiti, em janeiro de 2010. Ela foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas por meio do prêmio The Green Star Award, pela excelência em prevenção, preparação e resposta aos desastres ambientais.

publicado por André Lazaroni em 13.1.11



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