Andre Lazaroni

segunda-feira, janeiro 10, 2011


Já comentei aqui a oportuna e bem detalhada pesquisa feita pela organização não governamental SOS Mata Atlântica, sobre as fontes de água do país. Rios, riachos, lagos e lagunas. Algumas delas estão bem perto de nós, ao nosso alcance e nos encantam sempre, como o lago da Quinta da Boa Vista que é, infelizmente, um reservatório de impurezas.

Voltemos à pesquisa da SOS Mata Atlântica. Seus desdobramentos e relatório final mostram fontes de água cada vez mais poluídas e que, diante disso, a saúde da população corre risco. Na análise de amostras de 43 corpos d'água, em 12 estados e no Distrito Federal, a ONG verificou que nenhuma foi considerada boa ou ótima.

Reportagem de Isabela Vieira, da Agência Brasil, detalha mais. As análises foram feitas ao longo de 2010. Com base em parâmetros definidos pelo Ministério do Meio Ambiente, o estudo da SOS Mata Atlântica revela que em 70% das coletas feitas em rios, córregos, lagos e outros corpos hídricos, a qualidade da água foi considerada regular. Em 25%, a qualidade era ruim e em 5%, péssima.

Em visitas a pontos de educação ambiental da ONG, foi avaliada a qualidade da água para consumo e concluiu-se que ela precisa de tratamento para qualquer uso, seja para o consumo ou para indústria. Nos locais visitados, também foi constado que o principal agente de poluição é o esgoto doméstico.

Indicadores da falta de saneamento básico, como a presença coliformes, larvas e vermes, lixo e baixa quantidade de oxigênio na água, além de dez propriedades físico-químicas foram testadas. Das 43 coletas analisadas, o pior resultado foi a do Rio Verruga, em Vitória da Conquista (BA), e a do Lago da Quinta da Boa Vista, no Rio.

Em condição um pouco melhor, mas ainda considerada regular e, consequentemente imprópria para consumo, estavam as amostras coletadas no Rio Doce, no município de Linhares (ES), e na Lagoa de Maracajá, em Lagoa dos Gatos (PE).

O geógrafo do projeto da organização não governamental, Vinícius Madazio, afirmou categoricamente: “hoje, a poluição está muito mais vinculada à emissão de efluentes domésticos que industriais. É um problema porque 60% dos brasileiros vivem na região de Mata Atlântica”. Maurício reivindica que as políticas públicas de saneamento básico sejam prioridades do governo e da sociedade.

A qualidade da água é um das preocupações da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou o período entre 2005 e 2015 a década internacional Água para Vida. Em 2006, a instituição estimou que um milhão e 600 mil pessoas, principalmente crianças menores de cinco anos, morram todos os anos por causa de doenças transmitidas pela água de péssima qualidade.

publicado por André Lazaroni em 10.1.11



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