Andre Lazaroni

terça-feira, abril 27, 2010


O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, reafirmou, em Nova York, uma advertência: a malária continua sendo responsável pela morte de quase 500 mil pessoas por ano no mundo . Segundo ele, pelo menos 3 bilhões e 300 milhões de pessoas – a metade da população mundial – vivem em situação de risco por causa da doença. A cada ano cerca de 250 milhões novos de casos de malária são registrados. Em geral, os mais vulneráveis à doença vivem em países pobres ou em desenvolvimento. Palavras de Ban Ki-moon: “o desafio agora é garantir que todos os que são expostos à malária recebam o diagnóstico de qualidade garantida e tratamento. Os avanços dos últimos anos mostram que a malária pode ser vencida”.

Mas os resultados obtidos até hoje ainda estão muito aquém do que é exigido. Desde 2003, os compromissos internacionais de controle da malária cresceram mais de cinco vezes, elevando os investimentos no combate e controle da doença em um total de 1 bilhão e 700 milhões de dólares apenas em 2009. A Organização Mundial da Saúde proclamou o 25 de abril como Dia Mundial de Combate à Malária. E no dia, foi constatado que há uma forma de parasita resistente que é frequente na região fronteiriça entre o Camboja e a Tailândia. De acordo com a OMS, esse transmissor pode prejudicar as atividades de controle da doença. A recomendação é utilizar uma combinação à base de artemisinina terapias (ACT).

A cada 30 segundos, uma criança africana morre de malária. O número triste e impressionante evidencia a forma inclemente como a África é atingida pela doença, que também permanece endêmica em países da Ásia e da América Latina, inclusive o Brasil. Apenas em 2009, 306 mil casos foram registrados em nosso país, quase a totalidade na Região Amazônica. O chefe do Laboratório de Pesquisas em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Claudio Tadeu Daniel-Ribeiro afirma que a malária coloca desafios globais, como a resistência a medicamentos, e no Brasil apresenta desafios locais para o controle. Apenas 20 dos 807 municípios amazônicos concentram nada menos que 50% dos casos do país. Em artigo que será publicado no Malaria Journal, o especialista destaca que, do ponto de vista da evolução histórica, houve uma importante redução dos casos no Brasil.

Nos anos de 1940 eram mais de 6 milhões por ano. Nos idos de 1960, os números foram os mais baixos já registrados. O incremento da ocupação humana da região amazônica explica o aumento progressivo do número dos casos desde os anos 1970. No que depende da presença do mosquito vetor, o Brasil poderia vivenciar um quadro muito pior, já que o Anopheles darlingi está presente em quase 80% do território brasileiro. Como contraponto, a circulação do parasito causador da doença é territorialmente bem delimitada, com 99,8% dos casos localizados na região da Bacia do Amazonas. Em relação ao agente causador da malária, predomina o parasito Plasmodium vivax (83,7% dos casos registrados em 2009), enquanto o Plasmodium falciparum, o mais associado a casos de malária grave, respondeu por 16,3%.

O artigo, que também é assinado por outros quatro especialistas do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), Fundação de Medicina Tropical do Amazonas e Universidade de Brasília, além do coordenador do Programa Nacional de Controle da Malária, José Lázaro de Brito Ladislau, ressalta aspectos recentes que têm chamado atenção dos malariologistas brasileiros. No conjunto, os avanços do Brasil no combate à malária sobrepujam os revezes. O número de internações despencou de 53.450 em 1994 para 18.037 em 2000 e 4.442 em 2009. Os óbitos atribuídos à doença caíram ainda mais – de 897 em 1984 para 58 em 2009 –, resultando na taxa de mortalidade mais baixa registrada até hoje – de 0,038% em 2000 para 0,013% em 2009.

Segundo Claudio Tadeu Daniel-Ribeiro o Brasil tem um programa exemplar, com uma rede gratuita que visa diagnosticar e tratar precoce e adequadamente a malária, o que é diferente da realidade africana, por exemplo. Na equação de um difícil contexto de controle na região endêmica e de novos e intrigantes fatos verificados na rotina de vigilância da doença, ele defende o investimento em ciência associada à medicina. Diz ele: “a malária é uma doença de áreas silvestres. No nosso caso, foi o homem que entrou na casa do mosquito, o que dificulta as ações. A saída provavelmente reside na manutenção das ações de controle de forma permanente e continuada, combinada com o investimento que possa desembocar na produção de novos insumos para a saúde e o desenvolvimento de uma vacina, o que poderia modificar radicalmente o cenário de controle da doença no Brasil e no mundo”.

publicado por André Lazaroni em 27.4.10



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