Andre Lazaroni

sábado, fevereiro 13, 2010


Vamos refletir um pouco sobre a figura extraordinária que felizmente ainda está entre nós, nos ensinando a viver com dignidade e cidadania, sem rancores e ódio? Certamente vocês concordarão comigo nesta época tão festiva e alegre que é o carnaval. Eu me refiro ao cidadão do mundo Nelson Mandela, o grande Madiba, o homem que deu a África do Sul aos sul-africanos, sem distinções raciais, políticas e ideológicas.

No dia 11, o país e o conjunto da Humanidade comemoraram os 20 anos da libertação de Nelson Mandela das prisões do “Apartheid”, onde ele ficou por quase três décadas. Exatos 27 anos. A saída dele da masmorra, seu caminhar seguro, seu braço erguido em sinal de determinação e seu sorriso de paz e bondade destruíram um regime abjeto e colocou em marcha uma inédita transformação política que atingiu seu clímax com a também histórica eleição multirracial de 1994. De preso político, o Madiba amado se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul.

Ao contrário de Fidel Castro que fez a revolução e permaneceu no poder, Mandela seguiu o caminho do Mahatma Gandhi, que uniu a Índia e morreu por ela antes de vê-la como potência mundial. O Madiba inseriu a África do Sul no mapa político internacional, acabou com a segregação e deu início a um programa de reformas sociais. Historiadores e cientistas políticos concordam que a democratização da África do Sul é até hoje vista como um milagre. Nelson Mandela conquistou o apoio até de rancorosos radicais brancos conservadores. Ele inspirou confiança a todos e todos viram que a hora era de mudança.

Talvez a grande cartada histórica de Mandela possa ser definida nesta sua frase de alto sentido: “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.”

Cumprida a sua missão, Mandela retirou-se para casa, na aldeia de Qunu. Ele, porém, não conseguiu fazer a grande reforma que pudesse livrar o país de outra separação, aquela que é baseada na discriminação de classes econômicas. Apesar dessa desigualdade, houve o surgimento de uma classe média negra, beneficiada pelas políticas de cotas. Mas a maioria da população negra ainda vive em situação de extrema pobreza.

A África do Sul ocupa a 129ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), das Nações Unidas. Para se comparar, o Brasil está no 75º lugar. Desde a posse de Mandela, em 94, a renda mensal média dos negros aumentou 37,3%, mas a renda da população branca subiu mais 83,5%. Um milhão e 500 mil famílias ainda estão em favelas e um quarto dos homens adultos sul-africanos tem Aids. São quase seis milhões de infectados. A doença reduziu em 18 anos a expectativa de vida no país, de 2000 a 2005.

O que se espera é que os governos do Congresso Nacional Africano, partido de Nelson Mandela, no poder desde o fim do “Apartheid” racial, deem um basta nesse “Apartheid” econômico. Para o professor Peter Attard Montalto, do Instituto Nomura International, a África do Sul carece de novas lideranças de grande estatura, para fazer as reformas fundamentais. É dele uma frase definidora: “precisamos caçar o próximo Mandela, não o construtor nacional, mas o revolucionário econômico”. Esse novo estadista não tem que procurar exemplo em quem se espelhar para traçar o novo rumo sul-africano. Ele que siga o que fez Nelson Mandela, do Madiba de todos.

publicado por André Lazaroni em 13.2.10



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